Anticoncepcionais e Tromboembolismo Venoso: Uma Perspectiva Laboratorial
Os anticoncepcionais orais (ACOs), amplamente utilizados para o controle da natalidade, exigem uma análise clínica aprofundada devido ao seu impacto no risco de tromboembolismo venoso (TEV).
Logo, este risco está intrinsecamente ligado à composição hormonal desses contraceptivos e suas consequências fisiológicas na cascata de coagulação.

Imagem 1. anticoncepcionais orais. Fonte: banco de imagem
Impacto Hormonal dos Anticoncepcionais na Coagulação Sanguínea
A combinação de estrogênio e progestinas nos ACOs, embora eficaz na inibição da ovulação, não está isenta de efeitos pró-coagulantes. O estrogênio, em particular, pode influenciar diretamente a homeostasia da coagulação ao:
- Aumentar a síntese hepática de fatores de coagulação: Isso inclui o fibrinogênio e outros fatores importantes para a formação do coágulo.
- Diminuir a produção de antitrombina: Um inibidor natural da coagulação, resultando em um desequilíbrio pró-trombótico.
- Alterar o sistema fibrinolítico: Reduzindo a capacidade do corpo de dissolver coágulos existentes.
Dessa maneira, essas alterações bioquímicas no sangue criam um ambiente propício para a formação de trombos, justificando a necessidade de monitoramento clínico.
Fatores de Risco e Biomarcadores para TEV em Usuárias de Anticoncepcionais
Além da idade, tabagismo, histórico familiar e obesidade, a avaliação de outros fatores de risco é crucial para uma abordagem preventiva eficaz:
- Trombofilias hereditárias: A presença de mutações genéticas, como o Fator V Leiden ou a mutação do gene da protrombina (G20210A), deve ser investigada através de testes genéticos e ensaios de coagulação específicos em pacientes com histórico familiar de TEV.
- Varizes: Indicam disfunção venosa preexistente que pode ser exacerbada pelo uso de ACOs.
- Imobilidade prolongada: Situações como viagens longas ou cirurgias aumentam o risco de estase sanguínea.
Assim, o tabagismo compromete a integridade do endotélio vascular, criando um leito vascular mais suscetível à trombose. A obesidade, por sua vez, está associada a um estado inflamatório crônico e à ativação da coagulação.

Detecção Precoce e Diagnóstico Laboratorial do TEV
Desse modo, o reconhecimento de sinais e sintomas precoces, como dor e inchaço unilaterais nas pernas (indicativos de trombose venosa profunda – TVP), é fundamental. DAlpem disso, do ponto de vista laboratorial, o D-dímero é um marcador sensível de degradação da fibrina, sendo útil como um teste de triagem para exclusão de TEV.
Valores elevados de D-dímero, no entanto, requerem confirmação por exames de imagem, como ultrassonografia Doppler para TVP e angiotomografia pulmonar para embolia pulmonar (EP).
Abordagem Personalizada e Monitoramento Laboratorial dos Anticoncepcionais
Portanto, a prescrição de ACOs deve ser precedida por uma avaliação de risco individualizada, considerando o histórico médico e familiar da paciente. Em casos de maior risco, a avaliação de biomarcadores de coagulação e a consideração de métodos contraceptivos não hormonais são práticas prudentes. Nesse sentido, o monitoramento contínuo das usuárias de ACOs, especialmente aquelas com fatores de risco adicionais, é essencial para prevenir eventos trombóticos.
Compreender os mecanismos bioquímicos e celulares pelos quais os ACOs influenciam a hemostasia, juntamente com uma avaliação abrangente dos fatores de risco e o uso adequado de testes laboratoriais, é imperativo para garantir decisões clínicas informadas e um cuidado de saúde personalizado e seguro.
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Referências:
PADOVAN, FABIANA TAVARES; FREITAS, GEYSE. ANTICONCEPCIONAL ORAL ASSOCIADO AO RISCO DE TROMBOSE VENOSA PROFUNDA. Brazilian Journal of Surgery & Clinical Research, v. 9, n. 1, 2014.
OLIVEIRA, J. C. Tromboembolismo Venoso Associado ao uso de Anticoncepcionais Orais Combinados: uma revisão da literatura. no. 33p. Trabalho de Conclusão de Curso de Farmácia-Bioquímica–Faculdade de Ciências Farmacêuticas–Universidade de São Paulo, São Paulo, 2018.



