Troponinas Ultrasensíveis: Detecção e Diagnóstico na SCA
O coração, um órgão vital, demanda avaliação precisa em diversas condições. Nesse sentido, os biomarcadores cardíacos, como as troponinas, surgem como ferramentas cruciais para o diagnóstico e prognóstico de pacientes com Síndrome Coronariana Aguda (SCA).

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A Liberação de Biomarcadores na Lesão Miocárdica
Quando as células miocárdicas sofrem lesão, suas membranas celulares perdem a integridade. Consequentemente, as proteínas intracelulares se difundem no interstício e são transportadas para os sistemas linfático e capilar, tornando-se detectáveis na corrente sanguínea.
A cinética desses marcadores após a lesão miocárdica depende de múltiplos fatores, como:
- O compartimento intracelular das proteínas;
- O tamanho das moléculas;
- O fluxo regional linfático e sanguíneo;
- A taxa de depuração do marcador
Portanto, tais fatores, em conjunto com as características intrínsecas de cada marcador, diferenciam seu desempenho diagnóstico para o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM).
Utilidade Diagnóstica e Prognóstica
Para pacientes com quadro clínico sugestivo de SCA, onde o diagnóstico de IAM ainda não está estabelecido, os biomarcadores cardíacos são essenciais para a confirmação diagnóstica. Além disso, fornecem informações prognósticas vitais, uma vez que existe uma associação direta entre a elevação dos marcadores séricos e o risco de eventos cardíacos a curto e médio prazo.
Portanto, é um requisito que os resultados dos marcadores de necrose estejam disponíveis em até 60 minutos a partir da coleta. Caso a estrutura laboratorial convencional não possa atender a essa meta, a consideração de tecnologias point of care torna-se fundamental.
Troponinas: O Marcador de Escolha
As troponinas são proteínas do complexo de regulação miofibrilar presentes no músculo estriado cardíaco. Existem três subunidades: troponina T, troponina I e troponina C. Vale destacar que a troponina C é coexpressa em fibras musculares esqueléticas de contração lenta e, por isso, não é considerada um marcador cardíaco específico.
Nas últimas décadas, avanços em imunoensaios com anticorpos monoclonais específicos para troponina T cardíaca (TnTc) e troponina I cardíaca (TnIc) foram desenvolvidos. Além disso, metanálises demonstram que a TnIc possui sensibilidade e especificidade clínica para o diagnóstico de IAM na ordem de 90% e 97%, respectivamente. Por fim, as troponinas cardíacas permanecem elevadas por um período prolongado, podendo ser detectadas por até 7 dias após um IAM.
Acurácia Diagnóstica das Troponinas
As troponinas são o biomarcador de primeira escolha para a avaliação diagnóstica de pacientes com suspeita de IAM. Além disso, elas apresentam acurácia diagnóstica superior à da CK-MB massa e de outros biomarcadores de lesão miocárdica. Portanto, pacientes com troponinas elevadas demonstram um risco aumentado de eventos cardíacos nos primeiros dias de internação, identificando um subgrupo de SCASSST com maior potencial de benefício para manejo invasivo.
No entanto, apesar da acurada identificação de lesão miocárdica pelas troponinas, elas não identificam o(s) mecanismo(s) da lesão, que podem ser múltiplos. Esses mecanismos podem incluir etiologias não coronarianas, como taquiarritmias e miocardite, ou ainda condições não cardíacas, como sepse, embolia pulmonar e insuficiência renal. Por isso, em casos onde a apresentação clínica não é típica de SCA, outras causas para a elevação de troponinas devem ser consideradas.

Troponinas Ultrasensíveis (Trop-US)
Nesse sentido, as troponinas têm reconhecido valor na avaliação de pacientes com alterações isquêmicas no ECG ou com clínica sugestiva de dor anginosa. Entretanto, a maior limitação das troponinas convencionais era sua baixa sensibilidade quando o tempo de início do quadro era inferior a 6 horas.
Dessa forma, com a introdução das troponinas de alta sensibilidade (Trop-US), tornou-se possível detectar níveis mais baixos de troponina em menor tempo após o início do quadro de lesão miocárdica isquêmica. Vale ressaltar que a unidade de expressão para a troponina convencional é ng/mL, enquanto nas Trop-US os valores podem ser expressos em ng/L, com um poder de detecção 10 a 100 vezes maior.
Troponinas na Emergência
Em pacientes que chegam ao serviço de emergência com menos de 3 horas do início dos sintomas, as Trop-US são significativamente mais sensíveis que a troponina convencional para o diagnóstico de SCA. Além disso, elas melhoram em 61% o poder diagnóstico de IAM naquele momento e em 100% se a coleta for 6 horas após o início do quadro.
Assim, com o aumento da sensibilidade e acurácia diagnóstica do IAM utilizando a troponina ultrassensível, algoritmos de diagnóstico acelerado foram propostos, o que resulta em menor tempo de permanência na emergência e redução de custos. Por fim, a utilização do algoritmo de investigação em 3 horas é recomendada.
Conclusão
Em suma, a avaliação precisa da lesão miocárdica requer a análise cuidadosa dos biomarcadores cardíacos, em particular das troponinas. Ao correlacionar esses resultados com os sintomas, sinais clínicos e outros exames complementares do paciente, é possível alcançar um diagnóstico mais efetivo das doenças cardiovasculares, otimizando, assim, o manejo e o prognóstico dos pacientes com SCA.
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Referências:
MOTTA, V.T. Bioquímica Clínica para o Laboratório: Princípios e Interpretações. 5ª ed. Rio de Janeiro: Medbook, 2009.
DA ROCHA, KARINA; SILVA, JADSON OLIVEIRA. Marcadores bioquímicos de lesão no miocárdio. 2012.



