Alterações hematológicas e bioquímicas na dengue

A dengue é uma arbovirose de grande impacto em países tropicais como o Brasil, onde fatores ambientais favorecem a proliferação do Aedes aegypti. Como o vírus possui quatro sorotipos e circula amplamente no país, os casos podem variar desde quadros leves até formas graves, com risco de hemorragias, bem como choque. Por isso, a vigilância dos serviços de saúde e o diagnóstico rápido são essenciais. Dessa forma, reconhecer os padrões laboratoriais se torna indispensável para decisões clínicas ágeis e para a redução de complicações e mortalidade.

Alterações no Hemograma na Dengue

  • Leucopenia
    A leucopenia está entre as alterações mais comuns e surge principalmente com neutropenia, já que o vírus compromete a produção e a maturação dos granulócitos na medula óssea. Em muitos casos, aparece logo nos primeiros dias de febre.
  • Presença de linfócitos atípicos
    A presença de linfócitos atípicos reflete a resposta imune ao vírus, além de poder auxiliar no diagnóstico diferencial com outras viroses.
  • Trombocitopenia
    A trombocitopenia costuma ser moderada, com plaquetas frequentemente abaixo de 100.000/µL, piorando entre o 3º e o 7º dia de doença. Esse achado é crucial para estimar o risco de formas graves e orientar a conduta clínica.
  • Hematócrito elevado
    O hematócrito elevado resulta da hemoconcentração causada pelo extravasamento plasmático e é um marcador importante de risco para evolução grave, inclusive choque.

(LINFÓCITO REATIVO)

Alterações Bioquímicas na Dengue

  • Aumento das transaminases (TGO/TGP)
    A lesão hepática induzida pelo vírus leva à elevação das transaminases, geralmente com TGP maior que TGO. Esse achado aparece tanto em casos clássicos quanto nos graves.
  • Hipoalbuminemia
    O extravasamento plasmático reduz os níveis de albumina, sobretudo em quadros graves, funcionando como indicador de aumento da permeabilidade capilar.
  • Alterações no coagulograma
    Podem ocorrer consumo de fatores de coagulação, prolongamento do TP e TTPa e queda do fibrinogênio, especialmente quando há risco de sangramento ou progressão para formas graves.
  • Aumento de bilirrubinas
    Embora menos frequente, a disfunção hepática pode elevar a bilirrubina total e direta.
  • Elevação de creatinina e ureia
    A hipovolemia e a evolução para choque comprometem a função renal, elevando marcadores como creatinina e ureia.
  • Distúrbios eletrolíticos
    A hiponatremia é relativamente comum e está associada ao extravasamento plasmático, à hemodiluição, bem como à resposta inflamatória sistêmica.

Conclusão

As alterações hematológicas e bioquímicas na dengue são fundamentais para o diagnóstico, o monitoramento e a definição da conduta clínica. Embora não substituam os testes confirmatórios, refletem com precisão a dinâmica da infecção e permitem identificar precocemente sinais de gravidade, como hemoconcentração, queda importante das plaquetas e alterações hepáticas. Assim, integrar achados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos é essencial para evitar complicações e garantir uma assistência mais segura ao paciente, especialmente em períodos de alta transmissão.

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Referências

SOUZA, Beatriz Lima dos Santos; SANTOS, Naagela Ketlin Pires dos; ALMEIDA, Cynthia Layse Ferreira de; SANTANA, Temístocles Italo de. Principais alterações hematológicas e bioquímicas presentes em pacientes coinfectados com COVID-19 e dengue no Brasil. Revista Eletrônica Acervo Saúde, 2023.

OLIVEIRA, Vanessa Alves de. Complicações hematológicas em casos confirmados de dengue no Laboratório do Hospital das Clínicas de Mineiros-Goiás. São José do Rio Preto, SP: Pós-Graduação Lato Sensu da Academia de Ciências e Tecnologia de São José do Rio Preto, Curso de Hematologia Clínica e Banco de Sangue, 08 dez. 2018.


ANÁLISE crítica dos achados hematológicos e sorológicos de pacientes com suspeita de Dengue / Hematological and serological findings of individuals with suspicion of Dengue fever infection. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 30, n. 5, out. 2008.