Alterações laboratoriais na Erisipela Bolhosa
A erisipela bolhosa é uma infecção bacteriana aguda que acomete a derme superficial e os vasos linfáticos, sendo causada, predominantemente, por estreptococos beta-hemolíticos do grupo A, com destaque para o Streptococcus pyogenes. Clinicamente, manifesta-se de forma súbita, associando sinais sistêmicos de infecção a lesões cutâneas bem delimitadas, caracterizadas por eritema, edema e dor, acometendo, sobretudo, os membros inferiores. Além disso, a ruptura da barreira cutânea, quando associada a condições como linfedema, insuficiência venosa crônica, obesidade, diabetes mellitus e estados de imunossupressão, constitui um fator determinante para o desenvolvimento da doença.
Embora a forma eritematosa represente a apresentação mais frequente, a erisipela pode evoluir para quadros mais graves, como a forma bolhosa, caracterizada pela presença de bolhas contendo líquido seroso. Essas apresentações indicam maior intensidade do processo inflamatório e estão associadas a maior complexidade clínica, o que reforça a importância do reconhecimento precoce da condição e da condução terapêutica adequada, a fim de evitar complicações sistêmicas.

Importância do Hemograma na Erisipela Bolhosa
O hemograma constitui um exame essencial na avaliação laboratorial de pacientes com erisipela, uma vez que reflete diretamente a resposta inflamatória sistêmica desencadeada pela infecção bacteriana. Além de auxiliar no diagnóstico, esse exame permite o monitoramento da evolução clínica e da resposta ao tratamento, sendo particularmente relevante nas fases agudas e nas formas mais graves, como a erisipela bolhosa. Nessas situações, portanto, as alterações hematológicas podem indicar maior atividade inflamatória e gravidade do quadro.
Principais Alterações Hematológicas observadas:
- Leucocitose, geralmente acentuada
- Neutrofilia, frequentemente associada a desvio à esquerda
- Aumento do número de bastonetes
- Linfopenia
- Eosinopenia
- Plaquetopenia discreta, em alguns casos
- Elevação de marcadores inflamatórios, como a proteína C reativa
Alterações bioquímicas na Erisipela Bolhosa
As alterações bioquímicas observadas na erisipela estão diretamente relacionadas à intensidade da resposta inflamatória sistêmica e desempenham papel relevante na avaliação da gravidade, do prognóstico e da resposta terapêutica. Esses parâmetros tornam-se ainda mais importantes em casos moderados a graves, especialmente em pacientes com comorbidades ou na presença de formas complicadas, como a erisipela bolhosa, nas quais a inflamação exacerbada pode repercutir em diferentes sistemas orgânicos.
Principais alterações bioquímicas observadas:
- Elevação da proteína C reativa (PCR)
- Alterações eletrolíticas, especialmente em quadros graves ou associados à desidratação
- Elevação de ureia e creatinina, sobretudo em pacientes idosos, desidratados ou com infecção sistêmica
- Alterações inespecíficas de enzimas hepáticas, relacionadas à gravidade do quadro ou ao uso de antimicrobianos
- Hiperglicemia, particularmente em pacientes com diabetes mellitus, bem como em resposta ao estresse infeccioso
Conclusão
Diante do exposto, a erisipela configura-se como uma infecção cutânea bacteriana que, embora apresente manifestações clínicas características, pode cursar com alterações laboratoriais significativas. Sendo assim, as alterações hematológicas e bioquímicas refletem a resposta inflamatória sistêmica do organismo e desempenham papel fundamental no diagnóstico, na avaliação da gravidade, no acompanhamento da evolução clínica e na análise da resposta ao tratamento. Dessa forma, a interpretação criteriosa desses achados, associada à avaliação clínica, contribui para um manejo mais seguro e eficaz, reduzindo o risco de complicações e promovendo uma assistência de maior qualidade aos pacientes acometidos por essa condição.
O próximo passo de todo analista que deseja ter mais segurança na bancada
Todo analista que busca se destacar e se tornar um profissional mais atualizado, capacitado e qualificado para o mercado de trabalho precisa considerar uma pós-graduação.
Um profissional com especialização é valorizado na área laboratorial; esse é um fato inegável.
Unimos o útil ao agradável ao desenvolver uma pós-graduação em Hematologia Laboratorial e Clínica.
Para aqueles que procuram a comodidade de uma pós-graduação 100% online e ao vivo, sem abrir mão da excelência no ensino, temos a solução ideal.
Nossa metodologia combina teoria e prática da rotina laboratorial, garantindo um aprendizado efetivo.
Contamos com um corpo docente altamente qualificado, com os melhores professores do Brasil, referências em suas áreas de atuação.
No Instituto Nacional de Medicina Laboratorial, temos apenas um objetivo: mais do que ensinar, vamos tornar VOCÊ uma referência.
Toque no botão abaixo e conheça a pós-graduação em Hematologia Laboratorial e Clínica.
QUERO CONHECER TODOS OS DETALHES DA PÓS-GRADUAÇÃO
Referências:
FERREIRA, Maria Eduarda Justino; CUSTÓDIO, Renan Joseph de Moraes. Erisipela bolhosa: um relato de caso. Health Residencies Journal, Brasília, v. 4, n. 19, p. 10–16, 2023.
VALENTE, Georgia et al. Diagnóstico e tratamento de erisipela e celulite: revisão das melhores práticas clínicas e desafios terapêuticos. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, v. 6, n. 8, p. 2066–2074, 2024.
ARAÚJO, Rita de Cássia; ALEXANDRINO, Arthur; SOUSA, Alana Tamar Oliveira de. Erisipela e celulite: diagnóstico, tratamento e cuidados gerais. Revista Enfermagem Atual In Derme, v. 95, n. 36, 2021.



