Arboviroses: Como Fazer um Diagnóstico Confiável da Dengue?
As arboviroses representam uma preocupação crescente nos laboratórios clínicos, sobretudo durante os períodos de surto.
Entre elas, a dengue destaca-se como a mais prevalente no Brasil e, ao mesmo tempo, uma das mais desafiadoras para o diagnóstico laboratorial.

Imagem 1. teste rápido para arboviroses – dengue. fonte: https://g1.globo.com
Arboviroses: Conhecendo o Vírus da Dengue (DENV)
O vírus da dengue (DENV) pertence à família Flaviviridae e possui quatro sorotipos distintos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Nesse contexto, ele é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti e pode provocar desde infecções leves até quadros graves, como a dengue com sinais de alarme e a dengue grave.
Por outro lado, um ponto crítico no agravamento da doença é o fenômeno chamado Antibody-Dependent Enhancement (ADE), que ocorre principalmente em infecções secundárias. Em outras palavras, quem já teve dengue por um sorotipo corre maior risco ao ser infectado por outro.
Diagnóstico Laboratorial: Fases, Marcadores e Interpretação das Arboviroses (Dengue)
O diagnóstico laboratorial, em geral, depende da fase da doença e do tipo de teste. A seguir, você confere a cinética dos principais marcadores, além de dicas práticas para a rotina do laboratório.
Fase Aguda (1º ao 7º dia de sintomas)
– Antígeno NS1
O que é: Glicoproteína secretada pelo vírus durante a replicação.
Quando aparece: Detectável desde o 1º dia de sintomas, com destaque para o pico entre o 3º e 5º dia.
Métodos: ELISA ou teste rápido (imunocromatografia).
Pontos fortes: Ideal para diagnóstico precoce.
Limitações: Pode ser falso-negativo em infecções secundárias ou tardias.
– RT-PCR
O que é: Detecção direta do RNA viral.
Quando fazer: Até o 7º dia de sintomas.
Vantagem: Permite identificar o sorotipo e, além disso, é considerado padrão ouro na fase virêmica.
Desvantagem: Requer estrutura laboratorial avançada bem como maior tempo de processamento.

Fase Convalescente (a partir do 5º-7º dia)
– IgM
Quando aparece: A partir do 4º-6º dia, sendo que o pico ocorre na segunda semana.
Duração: Pode persistir por até 2 meses.
Interpretação: Positiva = infecção recente.
Cuidado: Pode haver reatividade cruzada com Zika, Chikungunya, Febre Amarela.
– IgG
Infecção primária: Surge mais tardiamente (7º ao 10º dia), com títulos moderados.
Infecção secundária: Títulos altos de IgG aparecem rapidamente — em alguns casos, sem IgM detectável.
Presença isolada: Indica infecção pregressa e, portanto, imunidade adquirida.

Imagem 2. Fonte: https://www.agenciabrasilia.df.gov.br
Dicas Importantes sobre Arboviroses
- Janela imunológica: Nem sempre um resultado negativo descarta a dengue. Portanto, observe o tempo de sintomas!
- Amostra correta: Prefira soro ou plasma fresco, desde que esteja bem armazenado.
- Reatividade cruzada: Esteja atento, sobretudo, em áreas com múltiplos arbovírus circulantes.
- Valide seus kits: Conheça a sensibilidade e especificidade dos testes utilizados, pois isso impacta diretamente a confiabilidade dos resultados.
- Converse com a clínica: Resultados devem ser interpretados junto ao quadro clínico e também ao contexto epidemiológico.
Conclusão
O diagnóstico da dengue vai além do simples “positivo ou negativo”. Como analista clínico, você tem um papel essencial na precisão e segurança diagnóstica, especialmente em cenários de epidemia, onde decisões clínicas e de saúde pública dependem diretamente dos laudos laboratoriais.
Dessa forma, mantenha-se atualizado, domine a cinética dos marcadores e oriente sua equipe para um diagnóstico técnico, ético e baseado em evidências.
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Referências:
Ministério da Saúde do Brasil. Portais da Secretaria de Vigilância em Saúde.
Organização Mundial da Saúde (OMS) / Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS): Guias de diagnóstico e manejo de arboviroses, relatórios técnicos.



