Leucemia Mieloide Crônica (LMC): Aspectos Hematológicos Essenciais

A Leucemia Mieloide Crônica (LMC) é uma neoplasia mieloproliferativa que se origina na medula óssea, caracterizada pela proliferação descontrolada de células mieloides maduras e em maturação. 

Nesse sentido, sua marca distintiva é a presença do cromossomo Philadelphia (Ph). Para os analistas clínicos de laboratório, uma compreensão aprofundada dos aspectos moleculares e dos exames laboratoriais envolvidos é crucial para o diagnóstico e o monitoramento eficaz dos pacientes.

Imagem 1: Foto de um esfregaço sanguíneo de um paciente com leucemia mieloide crônica.

A Causa Molecular: O Gene de Fusão BCR-ABL1

A princípio, a LMC surge de uma translocação recíproca específica entre os cromossomos 9 e 22, t(9;22). Essa alteração genética resulta na formação do gene de fusão BCR-ABL1. Assim, este gene anômalo codifica uma proteína tirosina-quinase que permanece continuamente ativa.

Desse modo, essa atividade desregulada envia sinais constantes de proliferação celular, ignorando os mecanismos normais de controle de crescimento, o que leva ao acúmulo das células mieloides características da doença.

Fases da Leucemia Mieloide Crônica

A LMC progride tipicamente em duas fases distintas, cada uma com características clínicas e laboratoriais específicas:

  • 1. Fase Crônica (FC)
    • É a fase inicial da doença, geralmente com sintomas leves ou ausentes.
    • Caracteriza-se por uma leucocitose acentuada com desvio à esquerda (aumento de mielócitos, metamielócitos e, ocasionalmente, promielócitos).
    • A porcentagem de blastos no sangue periférico e na medula óssea é menor que 10%.
    • Os exames laboratoriais frequentemente revelam basofilia e eosinofilia, além de trombocitose (contagem elevada de plaquetas), embora plaquetas normais ou baixas sejam raras nesta fase.
    • Os pacientes geralmente respondem muito bem ao tratamento, especialmente aos inibidores de tirosina-quinase (ITQs), com um bom prognóstico.
  • 2. Crise Blástica (CB)
    • Esta é a fase mais agressiva da LMC, que se assemelha a uma leucemia aguda.
    • É definida pela presença de 20% ou mais de blastos no sangue periférico ou na medula óssea.
    • Pode haver também proliferação extramedular de blastos, formando massas tumorais (sarcomas mieloides).
    • Os sintomas são mais graves e incluem febre, infecções, hemorragias e dor óssea, refletindo a falência medular. O prognóstico nesta fase é significativamente pior.

Diagnóstico Laboratorial Essencial da Leucemia Mieloide Crônica

O diagnóstico da LMC é estabelecido por uma combinação cuidadosa de exames laboratoriais:

  • Hemograma:
    • Geralmente revela leucocitose marcada, frequentemente acima de 100.000/µL, com um desvio à esquerda pronunciado (aumento de mielócitos e metamielócitos).
    • A presença de basofilia e eosinofilia é comum e um achado importante.
    • A contagem de plaquetas pode estar elevada (trombocitose) ou normal na fase crônica.
  • Morfologia da Medula Óssea:
    • Mostra hipercelularidade com um claro predomínio da série mieloide.
    • Confirma a presença de basofilia e eosinofilia aumentadas.
  • Citogenética Convencional (Cariótipo):
    • Permite a detecção do cromossomo Philadelphia (Ph) nas células da medula óssea, que é fundamental para o diagnóstico.
  • Biologia Molecular (RT-qPCR, FISH):
    • A detecção do gene de fusão BCR-ABL1 é o método mais sensível para confirmar o diagnóstico e, crucialmente, para monitorar a resposta ao tratamento. A análise molecular por RT-qPCR quantifica a carga de BCR-ABL1, sendo indispensável para acompanhar a eficácia terapêutica e a progressão da doença.

Conclusão

Portanto, a LMC é uma doença hematológica com uma base molecular bem caracterizada pelo gene BCR-ABL1. Assim, para os analistas clínicos de laboratório, um diagnóstico preciso e o monitoramento contínuo através de exames laboratoriais sensíveis e específicos são de extrema importância.

Por fim, a detecção precoce e o acompanhamento molecular rigoroso têm transformado o prognóstico dos pacientes com LMC, destacando o papel indispensável do laboratório na prática hematológica moderna.

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Referências:


Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Leucemia.

Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Fevereiro Laranja: Leucemia.

Sossela, F. R., & de Oliveira, B. C. (2017). Leucemia Mieloide Crônica: aspectos clínicos, diagnóstico e principais alterações observadas no hemograma. Revista Brasileira de Análises Clínicas, 49(2), 143–148.