Púrpura Trombocitopênica Idiopática
A Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI) é uma doença sanguínea autoimune que leva à trombocitopenia, uma condição caracterizada pela diminuição anormal da contagem de plaquetas no sangue — células que, por sua vez, são essenciais para a promoção da coagulação sanguínea.
Assim, a redução considerável das plaquetas tende a promover quadros hemorrágicos, cujas manifestações podem variar em intensidade e duração, ocorrendo desde pequenos sangramentos até mesmo complicações mais graves.

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Mecanismos de Desenvolvimento e Classificação da PTI
Na PTI o sistema imunológico do paciente através de mecanismos ainda não completamente esclarecidos, passa a atacar suas próprias plaquetas, o que resulta na destruição precoce dessas células. Além disso, são identificados autoanticorpos, frequentemente da classe IgG, que têm como alvo os antígenos presentes na membrana das plaquetas.
Com isso, uma vez que uma plaqueta possui um anticorpo ligado à sua membrana, ela se torna alvo dos macrófagos localizados no baço e em outras áreas do tecido reticuloendotelial, e por esse motivo são eliminadas. Dessa forma, ocorre uma redução na vida média das plaquetas resultando em mais baixas quantidades circulando no sangue.
A PTI é classificada como uma trombocitopenia do tipo transitória (comum na infância) ou crônica (afeta mais adultos), dependendo da sua evolução, bem como resposta ao tratamento. A contagem de plaquetas em pacientes que apresentem a doença em geral não ultrapassa o limite de 100.000 células/mm³, parâmetro inferior aos valores considerados normais que estão na faixa de 150.000 células/mm³.
Decerto, a doença pode se manifestar em qualquer faixa etária, embora seja mais prevalente em adultos jovens, informações epidemiológicas em fontes internacionais sugerem que incidência (número de casos novos ) nessa faixa é de 1,6 a 2,7 casos por 100.000 pessoas ao ano e uma prevalência (número de casos existentes e casos novos) de 9,5- 23,6 casos por 100.000 pessoas, apresentando predominância no sexo feminino.
Aspectos Clínicos da Púrpura Trombocitopênica Idiopática
A PTI é frequentemente marcada por manifestações clínicas que tipicamente estão associadas à tendência à ocorrência de sangramentos.
- Púrpura Cutânea: manchas roxas na pele (púrpura) devido a pequenos sangramentos sob a pele.
- Petéquias: pequenos pontos vermelhos ou roxos na pele, especialmente nas extremidades, que são basicamente pequenos sangramentos pontuais.
- Sangramento Menstrual Excessivo: mulheres com PTI podem experimentar períodos menstruais mais significativos.
- Sangramento Gastrointestinal: Isso pode se manifestar como sangue nas fezes ou vômito com sangue.
- Sangramento em Outros Órgãos: Em casos graves, pode ocorrer sangramento em órgãos internos, o que é potencialmente perigoso.
- Equimoses: a redução das plaquetas dificulta a coagulação do sangue, o que pode causar hematomas mesmo após traumas leves.
- Sangramentos nas Mucosas: Sangramentos nas gengivas, nariz ou até na urina são possíveis de acontecer.
Exames Laboratoriais e Diagnóstico
Quando não tratada adequadamente, a PTI pode evoluir para formas mais graves, exigindo intervenções terapêuticas específicas para controlar a doença e prevenir complicações hemorrágicas.
Portanto, estabelece-se o diagnóstico por critério de exclusão, ou seja, é preciso descartar outras condições que possam causar trombocitopenia para se chegar ao diagnóstico correto.
– Hemograma: A leitura de lâmina confirma a plaquetopenia através da contagem realizada pelo aparelho, e a não ser que o início seja muito súbito, evidencia também plaquetas de tamanho aumentado. O VPM e a amplitude de distribuição das plaquetas (PDW) costumam apresentar um aumento. Além disso, a porcentagem de plaquetas reticuladas tende a ser elevada, mas não pode ser considerada um achado distintivo.
– Anti-HIV e Anti-HCV: Deve-se fazer pedidos regulares desses exames em adultos a fim de realizar o diagnóstico diferencial, visto que uma infecção crônica, anteriormente assintomática, pode se apresentar inicialmente com a ocorrência de trombocitopenia.
– Deve-se considerar a biópsia de medula óssea caso o hemograma apresente aspectos atípicos
Além disso, é necessário solicitar regularmente exames para avaliar a função hepática, renal e a coagulação sanguínea.
Conclusão
O prognóstico da PTI pode variar de acordo com a intensidade da doença no organismo acometido, bem como a resposta do paciente ao tratamento. Em muitos casos, diagnosticam-se e controlam-se a PTI com maior tranquilidade; já os casos graves podem exigir uma abordagem multidisciplinar para diagnóstico e tratamento. Com a conscientização sobre os sintomas e opções terapêuticas disponíveis, é possível gerenciar eficazmente a PTI e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A colaboração entre toda a equipe garante o tratamento adequado e o monitoramento contínuo.
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Referências:
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