Bolsa de sangue irradiada: Fundamentos imunológicos
A transfusão sanguínea desempenha papel crucial em múltiplas situações médicas, contudo, ela acarreta riscos imunológicos significativos, sobretudo a doença do enxerto contra o hospedeiro associada à transfusão (TA-GvHD), na qual linfócitos viáveis do doador reagem contra os tecidos do receptor. Assim, para mitigar esse risco, a irradiação de bolsa de sangue configura-se como estratégia preventiva eficaz, visto que inativa linfócitos sem comprometer substancialmente os componentes essenciais do sangue.
Portanto, compreender os mecanismos imunológicos, as indicações clínicas e os cuidados técnicos é essencial para otimizar segurança nas hemotransfusões.

O que é a irradiação da bolsa?
No que concerne aos mecanismos imunológicos, convém esclarecer que a irradiação causa danos ao DNA dos linfócitos, particularmente células T, impedindo sua proliferação e resposta efetora, razão pela qual praticamente elimina sua capacidade de reconhecer e atacar tecidos do receptor.
Embora as hemácias irradiadas apresentem algumas alterações bioquímicas — como aumento de potássio extracelular, elevação de lactato e LDH, além da redução de glicose — essas “lesões de armazenamento” permanecem dentro de limites aceitáveis. Isso ocorre quando a irradiação é feita no momento certo e sob condições validadas. Assim, não há impacto clínico relevante sobre o transporte de oxigênio nem sobre a sobrevida imediata das células transfundidas.

Indicações clínicas para bolsa irradiada
Estudos mostram que bolsas de hemácias irradiadas com dose adequada inibem proliferação linfocitária sem comprometer a integridade celular ou viabilidade funcional das hemácias.
Em termos práticos, as indicações para uso de bolsa de sangue irradiadas incluem receptores imunocomprometidos, transplantados de medula óssea, pacientes com imunodeficiências primárias severas, recém-nascidos prematuros e casos de transfusão intrauterina.
As diretrizes elaboradas por sociedades como a British Society for Haematology e pela sociedade japonesa de hemoterapia enfatizam que os componentes celulares doados (hemácias, plaquetas) devem ser irradiados nesses contextos, para prevenir TA-GvHD, especialmente quando há suspeita ou confirmação de deficiência de linfócitos T.
Além disso, recomenda-se que a irradiação seja feita tão próxima quanto possível do momento da transfusão, pois quanto maior o tempo de armazenamento pós-irradiação, maiores as alterações bioquímicas adversas.
Por outro lado, a irradiação não substitui outras medidas de segurança transfusional. Entre elas estão a triagem de doadores, a tipagem sanguínea, a pesquisa de anticorpos irregulares e, quando indicada, a leucorredução. Além disso, seus custos, a logística e os possíveis efeitos bioquímicos exigem justificativa clara para o uso. Por isso, políticas hospitalares e normas nacionais devem definir quando e como aplicar bolsas irradiadas.
Conclusão
A bolsa de sangue irradiada se configura como instrumento essencial da imunologia aplicada à hemoterapia, uma vez que reduz significativamente o risco de TA-GvHD mantendo funcionalidades clínicas vitais. Contudo, sua adoção exige critérios clínicos bem definidos, acompanhamento técnico rigoroso e avaliação contínua de risco-benefício, de modo que se assegure tanto segurança imunológica quanto eficiência terapêutica.
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Referências:
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- Balasubramanyam P, Basavarajegowda A, Hanumanthappa N, Negi VS, Harichandrakumar KT. Irradiating stored blood and storing irradiated blood: Is it different? A study of serial changes in biochemical parameters of red blood cell units. Asian J Transfus Sci. 2021;15:172-178.



