Relação entre Enteroparasitoses e Anemia Ferropriva

A anemia ferropriva é a deficiência nutricional mais prevalente no mundo, uma vez que resulta da redução das reservas de ferro necessárias à eritropoese. Como consequência, ocorre diminuição da hemoglobina e comprometimento do transporte de oxigênio, sendo, portanto, frequente no Brasil, especialmente em crianças e gestantes. Nesse contexto, as enteroparasitoses desempenham papel relevante na gênese e no agravamento da anemia ferropriva, pois os parasitos intestinais promovem espoliação sanguínea, lesões da mucosa e inflamação crônica. Dessa forma, há prejuízo na absorção de ferro e, consequentemente, redução da resposta à suplementação isolada.

Mecanismos de Associação entre Enteroparasitoses e Anemia Ferropriva

A associação entre enteroparasitoses intestinais e anemia ferropriva ocorre por diferentes mecanismos fisiopatológicos, os quais variam conforme o parasito, a carga parasitária e o estado nutricional do hospedeiro. Nesse sentido, helmintos, especialmente os ancilostomídeos, estão relacionados à perda sanguínea crônica pela mucosa intestinal, levando à depleção progressiva das reservas de ferro e à redução da síntese de hemoglobina. 

Por outro lado, protozoários como Giardia lamblia atuam principalmente por mecanismos de má absorção. A lesão da mucosa intestinal reduz a superfície absortiva e interfere nos processos digestivos, comprometendo a absorção de ferro e vitaminas essenciais à eritropoese. Ademais, em casos de poliparasitismo, esses mecanismos podem atuar de forma sinérgica, agravando a deficiência de ferro mesmo sem perdas sanguíneas evidentes.

Principais Enteroparasitoses Associadas à Anemia Ferropriva

Entre os enteroparasitos mais frequentemente associados à anemia ferropriva, destacam-se os ancilostomídeos, Ascaris lumbricoides e Trichuris trichiura, sobretudo em populações expostas a condições sanitárias inadequadas. Os ancilostomídeos apresentam forte associação com anemia, especialmente em crianças e gestantes, devido ao sangramento intestinal contínuo, enquanto A. lumbricoides pode contribuir por competição nutricional e prejuízo da absorção intestinal.

No grupo dos protozoários, Giardia lamblia merece destaque por sua relação com desnutrição, deficiência de ferro e anemia, principalmente na população pediátrica. Em contrapartida, parasitos não patogênicos, como Entamoeba coli e Endolimax nana, não se associam diretamente à anemia. 

(Cistos de Giardia lamblia)

Importância do Diagnóstico Parasitológico na Investigação da Anemia Ferropriva

O diagnóstico parasitológico de fezes desempenha papel fundamental na investigação etiológica da anemia ferropriva, especialmente em regiões endêmicas e populações vulneráveis. Quando integrado aos achados do hemograma e aos marcadores do metabolismo do ferro, permite ao analista clínico estabelecer adequada correlação clínico-laboratorial, evitando interpretações fragmentadas e intervenções terapêuticas incompletas.

Além disso, a diferenciação entre parasitos patogênicos e não patogênicos é essencial para avaliar o impacto clínico da infecção. A identificação de parasitos associados à perda sanguínea ou má absorção deve alertar para investigação de deficiência de ferro, mesmo com parâmetros hematimétricos limítrofes, reforçando o papel estratégico do laboratório na prevenção e no controle dessas condições.

Conclusão

Sob a perspectiva laboratorial, a investigação integrada de enteroparasitoses e anemia ferropriva é essencial para a correta interpretação dos achados clínicos. A associação do exame parasitológico de fezes com a análise hematimétrica e os marcadores do metabolismo do ferro permite identificar parasitos patogênicos, diferenciar os não patogênicos e orientar decisões terapêuticas. Dessa forma, o laboratório atua de maneira estratégica na detecção precoce, no monitoramento do tratamento e no apoio às ações de saúde pública.

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Referências

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SOUZA, Ruth Romão de; RODRIGUES JUNIOR, Omero Martins. Anemia ferropriva na infância associada a enteroparasitoses: ancilostomíase e ascaridíase. Research, Society and Development, v. 10, n. 15, e510101523456, 2021

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