Púrpura Trombocitopênica Trombótica

A púrpura trombocitopênica trombótica (PTT) é uma microangiopatia trombótica rara, porém potencialmente fatal, caracterizada pela formação de trombos ricos em plaquetas na microcirculação. Como consequência, ocorre consumo plaquetário, anemia hemolítica microangiopática e comprometimento de diferentes órgãos, principalmente o sistema nervoso central e, em alguns casos, os rins.

Embora seja uma doença grave, a PTT apresenta boa resposta ao tratamento quando reconhecida precocemente. Por isso, compreender seus mecanismos, critérios diagnósticos e a necessidade de intervenção imediata é fundamental para reduzir a morbimortalidade e melhorar o prognóstico dos pacientes.

O que acontece na púrpura trombocitopênica trombótica?

A fisiopatologia da PTT está relacionada à deficiência importante da ADAMTS13, uma metaloprotease responsável por clivar os multímeros de alto peso molecular do fator de von Willebrand. Quando essa enzima apresenta atividade muito reduzida, esses multímeros permanecem circulantes e promovem intensa agregação plaquetária na microcirculação, favorecendo a formação de trombos disseminados.

Essa deficiência pode ocorrer por mutações genéticas ou, mais frequentemente, por autoanticorpos adquiridos contra a ADAMTS13. Como resultado, desenvolvem-se trombocitopenia por consumo, anemia hemolítica microangiopática e lesão isquêmica de diferentes órgãos.

Manifestações clínicas e diagnóstico

Classicamente, a PTT foi descrita pela presença de cinco manifestações: anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia, alterações neurológicas, insuficiência renal e febre. Entretanto, atualmente sabe-se que a pêntade completa é incomum e que o diagnóstico não deve depender da presença de todos esses sinais.

Na prática, a combinação de trombocitopenia e anemia hemolítica microangiopática, sem outra causa evidente, já deve levantar forte suspeita da doença. Entre os achados laboratoriais destacam-se a presença de esquizócitos, aumento da desidrogenase láctica, teste de Coombs direto negativo e consumo plaquetário. Embora a dosagem da atividade da ADAMTS13 confirme o diagnóstico, sua indisponibilidade em muitos serviços não deve atrasar o início do tratamento.

A importância do tratamento imediato

A plasmaférese representa o tratamento de primeira linha da PTT e deve ser iniciada imediatamente diante da suspeita clínica. Esse procedimento atua removendo autoanticorpos circulantes e fornecendo ADAMTS13 funcional por meio da reposição plasmática, interrompendo o processo de formação dos trombos.

Além da plasmaférese, os corticosteroides são utilizados como terapia associada, principalmente nos casos de origem autoimune. Em pacientes refratários, o rituximabe pode ser empregado como opção terapêutica adicional. Durante o tratamento, a recuperação da contagem de plaquetas e a redução dos níveis de desidrogenase láctica constituem importantes marcadores de resposta clínica.

Conclusão

A púrpura trombocitopênica trombótica é uma emergência hematológica cujo sucesso terapêutico depende diretamente da rapidez do diagnóstico e do início da plasmaférese. Atualmente, a presença de anemia hemolítica microangiopática associada à trombocitopenia, na ausência de outra causa evidente, já é suficiente para justificar a suspeita clínica e o início imediato do tratamento.

Embora a dosagem da ADAMTS13 seja uma ferramenta importante para confirmação diagnóstica e avaliação prognóstica, ela não deve retardar a terapia. Dessa forma, o reconhecimento precoce da doença, aliado à interpretação adequada dos achados clínicos e laboratoriais, continua sendo o principal fator para reduzir a mortalidade e preservar a função dos órgãos acometidos.

Referências

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