LINFOMA DE BURKITT

O linfoma de Burkitt é uma neoplasia agressiva de células B, classificada como um tipo de linfoma não Hodgkin. Apesar de ser mais frequentemente associado a crianças e adultos jovens, observa-se que uma parcela significativa dos casos ocorre em adultos acima de 40 anos. Além disso, sua definição diagnóstica evoluiu ao longo do tempo, acompanhando avanços em técnicas imunohistoquímicas, citogenéticas e moleculares.

Nesse contexto, compreender suas características biológicas, critérios diagnósticos e abordagens terapêuticas é essencial, especialmente diante da variabilidade de apresentação clínica e da ausência de estudos clínicos randomizados robustos em adultos.

Características patológicas e diagnóstico do Linfoma de Burkitt

O linfoma de Burkitt apresenta padrão histológico difuso composto por células B de tamanho intermediário, com alta taxa de proliferação celular, frequentemente superior a 95%. Um achado clássico é o padrão “céu estrelado”, decorrente da presença de macrófagos fagocitando células apoptóticas, refletindo o alto turnover tumoral.

Do ponto de vista imunofenotípico, as células expressam marcadores de linhagem B como CD19, CD20 e CD22, além de marcadores de centro germinativo como CD10 e Bcl-6. Um elemento central no diagnóstico é a presença de translocações envolvendo o gene MYC, geralmente detectadas por técnicas como FISH, sendo essa alteração fundamental na patogênese da doença.

Avaliação clínica do Linfoma de Burkitt

Clinicamente, pacientes adultos costumam apresentar massas abdominais volumosas, sintomas B e sinais laboratoriais relacionados à lise tumoral. O acometimento da medula óssea pode ocorrer em até 70% dos casos, enquanto o sistema nervoso central pode estar envolvido em até 40% dos pacientes no momento do diagnóstico.

Diante da agressividade da doença, a avaliação deve ser rápida e abrangente, incluindo exames de imagem, análise da medula óssea e investigação de função renal, hepática e infecção por HIV. A rapidez no início do tratamento é um fator crítico para o prognóstico.

Tratamento do Linfoma de Burkitt

O tratamento do linfoma de Burkitt baseia-se em esquemas quimioterápicos intensivos, com múltiplos agentes e profilaxia para o sistema nervoso central. Regimes como o CODOX-M/IVAC são amplamente utilizados e demonstram taxas significativas de cura, especialmente em populações mais jovens.

Entretanto, em adultos mais velhos, os resultados são mais heterogêneos, com menor sobrevida global. Estratégias terapêuticas podem incluir protocolos semelhantes aos utilizados em leucemia linfoblástica aguda ou, em alguns casos, transplante autólogo de células-tronco. A introdução de agentes como o rituximabe tem mostrado resultados promissores, embora ainda existam limitações nos dados disponíveis.

Conclusão

O linfoma de Burkitt em adultos é uma doença altamente agressiva, porém potencialmente curável quando diagnosticada precocemente e tratada de forma adequada. Apesar dos avanços no entendimento molecular e nas estratégias terapêuticas, ainda existem lacunas importantes, principalmente no manejo de pacientes mais velhos.

Dessa forma, o aprimoramento dos critérios diagnósticos e o desenvolvimento de terapias mais eficazes e seguras continuam sendo essenciais para melhorar os desfechos clínicos, especialmente em populações sub-representadas nos estudos atuais.

Referências

BLUM, Kristie A.; LOZANSKI, Gerard; BYRD, John C. Leucemia e linfoma de Burkitt em adultos: ensaios clínicos e observações. Blood, v. 104, n. 10, p. 3009–3020, 15 nov. 2004. Disponível em: https://doi.org/10.1182/blood-2004-02-0405. Acesso em: 14 abr. 2026.

BLUM, Kristie A.; LOZANSKI, Gerard; BYRD, John C. Adult Burkitt leukemia and lymphoma. Blood, v. 104, n. 10, 15 nov. 2004.

PERKINS, Archibald S.; FRIEDBERG, Jonathan W. Burkitt lymphoma in adults. Hematology: American Society of Hematology Education Program, Washington, DC, 2008.