Síndrome da Lise Tumoral
A síndrome da lise tumoral, também conhecida como SLT, é uma emergência oncológica caracterizada pela destruição maciça de células malignas e pela liberação de seu conteúdo na circulação sanguínea. Embora possa ocorrer espontaneamente, é observada principalmente após o início do tratamento com agentes quimioterápicos citotóxicos.
Como consequência da lise celular, grandes quantidades de potássio, fósforo e ácidos nucleicos chegam à circulação e podem ultrapassar a capacidade de eliminação do organismo.
Principais alterações laboratoriais na síndrome da lise tumoral
A hiperuricemia ocorre devido ao aumento do catabolismo dos ácidos nucleicos liberados durante a lise celular. As purinas são metabolizadas até a formação de ácido úrico que, por apresentar baixa solubilidade, pode precipitar nos túbulos renais. Consequentemente, a hiperuricemia contribui diretamente para o desenvolvimento de lesão renal aguda.
Além disso, a liberação intracelular de potássio provoca hipercalemia, que pode surgir precocemente e causar arritmias cardíacas e morte súbita. Paralelamente, o aumento do fósforo favorece a precipitação de fosfato de cálcio, contribuindo para a hipocalcemia e para a lesão renal. Portanto, a associação entre hiperfosfatemia e hipocalcemia constitui um achado importante na SLT.

Diagnóstico laboratorial
O diagnóstico da SLT é clínico-laboratorial e pode ser classificado em síndrome de lise tumoral laboratorial ou clínica. Conforme os critérios de Cairo e Bishop apresentados nos materiais, a forma laboratorial é caracterizada pela presença de pelo menos duas alterações entre ácido úrico, potássio, fósforo e cálcio dentro do período relacionado ao tratamento antineoplásico.
Entre os valores descritos estão ácido úrico igual ou superior a 8 mg/dL, potássio igual ou superior a 6 mEq/L, fósforo igual ou superior a 4,5 mg/dL em adultos e cálcio igual ou inferior a 7 mg/dL, considerando também alterações de 25% em relação ao valor basal. Quando as alterações laboratoriais estão associadas a complicações como arritmias, convulsões ou comprometimento renal, caracteriza-se a SLT clínica.
Lesão renal aguda e sua relação com os exames laboratoriais
A lesão renal aguda é uma das principais complicações da SLT. A precipitação de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos renais pode provocar obstrução e comprometimento da função renal. Além disso, uma vez instalada a lesão renal, a eliminação dos metabólitos torna-se ainda mais prejudicada, favorecendo a intensificação das alterações bioquímicas.
Por esse motivo, a avaliação da função renal deve fazer parte do acompanhamento laboratorial desses pacientes. O aumento de compostos nitrogenados, associado às alterações de eletrólitos e do ácido úrico, auxilia na avaliação da evolução do quadro. Dessa forma, a integração desses resultados é fundamental para reconhecer rapidamente o comprometimento renal associado à SLT.
Conclusão
A síndrome da lise tumoral é uma emergência oncológica potencialmente fatal, marcada por alterações metabólicas que podem evoluir rapidamente. Nesse contexto, as Análises Clínicas possuem papel central, pois a identificação das alterações de ácido úrico, potássio, fósforo, cálcio e função renal contribui diretamente para o diagnóstico e acompanhamento do paciente.
Referências
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TALLO, Fernando Sabia et al. Síndrome da lise tumoral: uma revisão para o clínico. Revista Brasileira de Clínica Médica, São Paulo, v. 11, n. 2, p. 150-154, abr./jun. 2013.
GANDRA, Clarissa Veloso Souto; STARLING, Maria Thereza Mansur; GOMES, Natália Nicolai; CARVALHO, Raquel Soares; GANDRA, Silvia Veloso Souto. Síndrome da lise tumoral: revisão de literatura. Revista Médica de Minas Gerais, v. 26, e-1834, 2017.



